A Visita
Clair Nery Cardoso
Seu andar calmo e rosto plácido destoava do movimento naquela hora. Era dezembro e as pessoas, preocupadas com as compras de final do ano, atropelavam-se na movimentada rua do centro da cidade. Recebeu alguns encontrões de pedestres que gostariam que ele não estivesse em seu caminho e buzinadas por ter o desplante de estar no meio da rua quando o sinal abriu.
Aproximou-se de um mendigo e disse-lhe algumas palavras de consolo, recebeu um olhar amável que durou até ele perceber que não receberia esmola. Ao afastar-se ouviu um xingamento.
Entrou em uma loja e viu pessoas que quanto mais abriam a carteira mais fechavam seus corações. Procuravam talvez compensar uma coisa com outra. Na seção de televisores ficou um bom tempo assistindo às notícias de crimes brutais e guerras sem sentido.
Foi a uma igreja escolhida ao acaso, poderia ser qualquer uma, ele não tinha religião. Ficou parado na porta ouvindo as últimas palavras do culto que estava terminando. Em seguida, notou nas pessoas que saiam a mesma irritação das que estavam fora, havia apenas uma diferença, estas últimas achavam que já haviam feito sua obrigação.
Saiu e voltou a andar na calçada. Do outro lado da rua percebeu alguém que andava calmamente e sorria para ele. Aguardou até que atravessasse e deu um abraço no amigo.
- Esperava alguma mudança? – o outro perguntou.|
Aqui vai um poema do grande Ferreira Gullar, que conheci num espanto, durante umas férias em Floripa que tirei sozinho nos tempos de estudante, passeando na biblioteca da UFSC. Pois é, mais de 50 praias e eu estava passeando na biblioteca da Universidade. É o que gosto de fazer, quando eu tenho escolha.
OFF PRICE - Ferreira Gullar Que a sorte me livre do mercado e que me deixe continuar fazendo (sem o saber) fora de esquema meu poema inesperado e que eu possa cada vez mais desaprender de pensar o pensado e assim poder reinventar o certo pelo errado.
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[Ferreira Gullar] |
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