R.U.R. de Karel Capek.

Acabo de ler a peça R.U.R., do Tcheco Karel Capek, de 1921. Estava no livro que ganhei do Carlos Machado (que tem outras preciosidades).  É uma peça estupenda. Mostra uma profundidade nos pensamentos que era incomum na época. Esta peça é famosa por ter sido nela que apareceu pela primeira vez o vocábulo Robô. Ela poderia ser encenada ainda hoje pois os assuntos são atuais (só a tecnologia não é). Estão lá para quem quiser ver os germes das idéias bases de I.A., Children of men, os robôs de Isaac Asimov, os filmes B sobre o fim da humanidade, sobre o tratamento da vileza (“a alma das multidões é horrível”) e da nobreza da raça humana, tão utilizada em Star Trek, sobre a conciência da criatura vista em Frankenstein, de Shelley, Blade Runner (o filme), Homem bicentenário... Enfim, uma fonte da qual muita gente bebeu, uma obra imperdível para todos os tipos de leitores. Existe até uma inconfundível homenagem ao discurso de Hamlet, de Shakespeare. Inconfundível porque até mesmo a posição é a mesma, Ato III, cena 1. Pra terminar, uma pequena reflexão de um dos personagens: “Todas as idéias, todos os amores, todos os projetos e todos os heroísmos só são bons empalhados...”

A foto

Abri uma foto dela num banco de carro.

O laptop no colo e aquele sorriso na tela.

Eu precisava de uma dose daquele olhar,

lembrar do feitiço que eram seus lábios falando,

de como seu rosto dançava e o jogo da íris

e de como eu só queria ficar ali.

A Visita
Clair Nery Cardoso

Seu andar calmo e rosto plácido destoava do movimento naquela hora. Era dezembro e as pessoas, preocupadas com as compras de final do ano, atropelavam-se na movimentada rua do centro da cidade. Recebeu alguns encontrões de pedestres que gostariam que ele não estivesse em seu caminho e buzinadas por ter o desplante de estar no meio da rua quando o sinal abriu.

Aproximou-se de um mendigo e disse-lhe algumas palavras de consolo, recebeu um olhar amável que durou até ele perceber que não receberia esmola. Ao afastar-se ouviu um xingamento.

Entrou em uma loja e viu pessoas que quanto mais abriam a carteira mais fechavam seus corações. Procuravam talvez compensar uma coisa com outra. Na seção de televisores ficou um bom tempo assistindo às notícias de crimes brutais e guerras sem sentido.

Foi a uma igreja escolhida ao acaso, poderia ser qualquer uma, ele não tinha religião. Ficou parado na porta ouvindo as últimas palavras do culto que estava terminando. Em seguida, notou nas pessoas que saiam a mesma irritação das que estavam fora, havia apenas uma diferença, estas últimas achavam que já haviam feito sua obrigação.

Saiu e voltou a andar na calçada. Do outro lado da rua percebeu alguém que andava calmamente e sorria para ele. Aguardou até que atravessasse e deu um abraço no amigo.

- Esperava alguma mudança? – o outro perguntou.
- Sempre esperamos. Plantamos todas as sementes, mas, salvo algumas exceções, infelizmente estão demorando a germinar.
- É verdade. Lembra dos outros lugares? Havia alguns onde o progresso exterior era acompanhado por uma melhoria nos padrões éticos e de convívio, mas sempre existem aqueles mais difíceis, terras áridas que demoram mais. Foi bem impressionante o progresso dos últimos cem anos, mas ele perde força e até põe em risco o planeta se não houver em contrapartida um crescimento interior.
- E a reunião, está preparada?
- Sim, mas pelo jeito o diagnóstico de todos os participantes será o mesmo da última reunião, feita quando estes seres ainda deslocavam-se em lombo de animais ou movidos pelo vento. Ainda não estão preparados.
- É verdade. Eles não entenderam quase nada ainda.
- E sem esta compreensão fica muito difícil perceberem-se como fragmentos do Pai. Criam religiões com complicados rituais, prendem-se a detalhes, brigam por eles e esquecem o essencial.
- Mas apesar de tudo, as sementes que deixamos são suficientes, o restante cabe a eles.
- Sim, vai demorar mais um tempo, mas eles chegarão lá.
- Os que foram para o oriente estão prontos?
- Sim, já retornaram para a nave.
- Então vamos, Krishna?
- Já que me chama pelo nome que ganhei neste mundo, vamos Nazareno...
- Mais uma coisa, no próximo mundo que descermos em missão, que tal se você ficar com a cruz e eu com as flechas?
Questão de Ordem
Uma idéia de submeter os textos deste BLOG a uma comissão de qualidade literária tem sido ventilada. Quando ela estiver adequadamente discutida e decantada, a tal comissão terá a função (entre outras) de qualificar e permitir (ou não) a publicação de um texto neste BLOG.
OFF PRICE - Ferreira Gullar

Aqui vai um poema do grande Ferreira Gullar, que conheci num espanto, durante umas férias em Floripa que tirei sozinho nos tempos de estudante, passeando na biblioteca da UFSC. Pois é, mais de 50 praias e eu estava passeando na biblioteca da Universidade. É o que gosto de fazer, quando eu tenho escolha.

 

 

OFF PRICE - Ferreira Gullar

 

Que a sorte me livre do mercado

e que me deixe

continuar fazendo (sem o saber)

               fora de esquema

               meu poema

inesperado

 

               e que eu possa

               cada vez mais desaprender

               de pensar o pensado

e assim poder

reinventar o certo pelo errado.

 

[Ferreira Gullar]

Se o Amor não é para sempre,
Eu viverei numa eterna utopia.

Oficina de Literatura

http://proibidolerdegravata.zip.net

Data: 13/01/2007 - Hora: 14h00min

Local: UTFPR - SALA A104

Oficina literária mediada pelo escritor e poeta paulista André Carneiro, onde escritores se reunem com o objetivo de aprimorar seus textos.

Informações pelo e-mail: contato@mustafa.com.br

Notícias

O comandante André Carneiro já está com o livro "Confissões do Inexplicável" no cais, estufando suas velas para singrar em março de 2007 pelos mares bravios da literatura brasileira com a bandeira da Editora Devir e tem outro livro no estaleiro, com seis contos, em sua fase de acabamento, ambos engendrados na árida terra curitibana onde, por coincidência, em sua janela canta um sabiá. Blogueiros de plantão, aguardem! 

Escrevo com o coração,
Meu sangue, suas lágrimas,
Minha poesia é a tristeza da alma.

Meu Amor é inacabável,
Tudo isso é minha vida,
Minha vida.. é você.

Luxúria


Era noite,
A luz do luar
Deitava-se sobre teu corpo,
(Corpo pálido que delírios trazia-me ao pôr-do-sol)
O silêncio era mortal,
Mortal como o berro inconsciente de um suicida.


Meus olhos tocavam tua pele,
Quase podia sentir teu cheiro sob minhas narinas.
Meu nobre prazer se interrompeu
Com o líquido vital se esvaindo de meu corpo,
Não havia mais luar, nem mesmo tua palidez,
Apenas um rio vermelho cobrindo todo o mundo,
Era o fim, ele havia chego a tempo.

Anjos

(clonado do meu blog)

Hoje um anjo que agradava meus demônios foi embora. Não sei como chorar isso... Estava distante e levaram. Não esperaram pela chuva. Nem pelo dia. Não avisaram. Só levaram... Mataram os peixes que voavam doidos pela floresta, com tiros de bestas de vidro. Com catapultas enormes derrubaram a Lua sobre a pequena cidade do fog. Um homem não sabe quem é até que seus demônios e anjos participem da mesma festa.(BSJ)

Ribeiro Couto

Conheci Ribeiro Couto através de um texto, lá de 194-e-pouco, onde Manoel Bandeira comentava sua morte. Usou como últimos os versos do próprio Couto:

Vai cair a noite.

Vão acender-se os combustores.

E desaparecerá esta indecisão delicada.

É o momento de partir para sempre, sem dor... 

 

A injeção NOHA
O Hoha botou pilha, o mestre André Carneiro liberou, os avatares e samurais de mais altas patentes concordaram e como humilde soldado, reassumo o posto de vigia até o amanhecer, quando muitos outros virão me render. O Proibido Ler de Gravata vai decolar e está oficialmente, e até que o último guerreiro morra, ativo.
Apresentação
Já se passaram dez segundos e a única coisa brilhante que nos surgiu na cabeça para iniciar este Blog é que: já se passaram dez segundos... e o Dr. Clair fez único comentário, um grunhido. Como temos prática de redação, sabemos que temos que entrar imediatamente no assunto e anunciar que este Blog vai balançar paradigmas do nosso condicionamento sexual, do tratamento das relações amorosas nos romances de ficção científica, tratamento esse tão parecido com a temática explorada desde antes de Freud, durante Freud e um pouquinho além dele.  Já falamos do Dr Clair e é preciso falar também do Prof Xavier, que, modestamente, prefere usar seu pseudônimo de Silvio.
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